A caminho da modernização

Não há dúvidas da importância do papel da logística nas operações das cadeias de produção. Mas ainda é limitada a percepção dos benefícios que ela, se melhor explorada, pode oferecer para ganhos de rentabilidade nos negócios das empresas.

Embora seja um conceito conhecido no mercado brasileiro desde os anos 70, a integração da cadeia de suprimentos – armazenagem, transporte e distribuição – tornou-se mais presente nas organizações apenas nos últimos anos. Porém, ainda há muito mais para avançar.

“Entre empresas o que precisa melhorar é a integração das cadeias de suprimentos entre fornecedores, indústria e varejo, dividindo de forma colaborativa as informações e buscando junto as oportunidades”, afirma a supervisora de logística da Rio de Janeiro Refrescos Ltda, Cristiane Salomão. “As empresas no Brasil ainda trabalham de uma forma muito independente, sem aproximações para trocas de informações, busca de sinergia entre operações e exigir melhoria da infraestrutura”, diz o gerente geral da Infoglobo Comunicações S.A., Alexandre Kabarite.

Com os segmentos integrados, já se constatou ganhos de economia de tempo e de custos menores nos processos de produção e comercialização, além de qualidade dos serviços e de rapidez nas respostas às expectativas do mercado. Interligadas as áreas de vendas, compras e produção, as empresas conseguiram dar velocidade na comunicação e assegurar planejamentos de tarefas mais precisos. Para Kabarite, “os custos envolvidos nas operações logísticas são representativos, então, precisam e devem ser otimizados para contribuir para o aumento de resultado da empresa”.

Na evolução dos processos da cadeia de suprimentos, a automação e a tecnologia da informação têm papel de destaque para a sofisticação das operações. Por meio de equipamentos e sistemas modernos e de última geração, as operações logísticas estão cada vez mais rápidas e com qualidade. “A tecnologia é essencial para a sustentação da cadeia de supply chain, pois sem o suporte de tecnologia para viabilizar todo o fluxo de informação entre os integrantes da cadeia, não conseguiríamos ter uma cadeia ágil e eficiente”, diz Kabarite, gerente da Infoglobo.

Em anos recentes, passaram a ficar mais conhecidos nas estratégias de gestão das empresas soluções como ERP (Sistema Integrado de Gestão de Empresas); WMS ( Sistema de Gerenciamento de Armazéns); TMS (Sistema de Gerenciamento de Transportes); GPS (Sistema Global de Posicionamento); EDI (Troca eletrônica de Dados); RFID (Identificação por Radiofreqüência); BPM (Gerenciamento de Processos de Negócios); código de barras; coletores; simuladores; e comércio eletrônico.

“Na relação entre empresas, a criação do EDI, para envio do pedido e retorno das informações de nota fiscal, facilitou a comunicação e reduziu erros de faturamento. Esta tecnologia vem sendo, cada vez mais, aplicada entre o Carrefour e seus fornecedores, seja com as grandes indústrias ou pequenos fabricantes ou produtores”, diz o diretor de logística do hipermercado Carrefour, Túlio Bolzoni. “Hoje não se pode cogitar um veículo de transporte de cargas sem um bom sistema de rastreamento”, afirma o presidente da Omnilink Tecnologia S.A, Cileneu J. P. Nunes.

Para especialistas do setor, a incorporação da tecnologia nas operações logísticas trouxe mais visibilidade, segurança, inovação e diferenciação frente aos concorrentes. No entanto, também apontam que o emprego dessa ferramenta ainda é restrito a poucas empresas. Para Marcos Augusto Vieira, gerente de Logística da Panalpina Brasil, o custo alto e a falta de padrão dos sistemas são duas barreiras para a incorporação dos sistemas. De acrodo com Salomão, da Rio de Janeiro Refrescos, apenas 10% das companhias brasileiras adotaram o BPM, um sistema de gerenciamento eletrônico de documentos, processamento de formulários eletrônicos e assinatura digital.

A tendência, no entanto, é de as empresas ampliarem a utilização de soluções em tempo real. “Hoje, seu uso é mais para corrigir os erros e pouco se aproveita para criar uma inteligência operacional”, diz o diretor de logística da Webb Negócios S.A, Gustavo Figueiredo.

Para Figueiredo, as operações logísticas devem contar no futuro com redes colaborativas de ativos logísticos. “Transportadores irão construir ambientes eletrônicos que possuam visibilidade da localização de seus veículos e vão compartilhar os ativos para reduzir as perdas com distâncias percorridas sem necessidade. Parecido com uma central de táxi. O mesmo com vagões para ferrovias e navios para armadores”, diz.

Presidente da Associação de Logística da França, Roland Dachs destaca como tendências em logística a colaboração a aplicação rápida de inovações e a capacidade de gerenciamento. Participante da XII Conferência Nacional de Logística, organizada pela Associação Brasileira de Logística (Aslog), Dachs destacou que, no futuro, os modelos de cadeia de abastecimento terão veículos mais sofisticados e movidos com combustíveis renováveis; mais capacidade em relação à inovação de ativos; mecanismos melhorados para sincronizar produção com demanda; e redução de custos por meio de processos colaborativos.

Com a preocupação em relação aos impactos ambientais na Europa, gerados pelos fluxos logísticos, as associações francesa (Aslog), italiana (Ailog) e espanhola (CEL) criaram a European Logistics Meditteranean (Elmed). O objetivo da união de forças é buscar alternativas estratégicas para gargalos na região.

As instituições, que estiveram no evento, convidaram a Aslog para participar da Elmed com a idéia de se fazer benchmaking entre empresas brasileiras e européias. “O melhor exemplo sobre como a logística colabora com o protagonismo econômico brasileiro é a possibilidade de participação nessa importante aliança européia, dando-nos a oportunidade, como brasileiros, de nos auto-responsabilizarmos pelo desenvolvimento do país no cenário global”, disse o presidente da Aslog, Adalberto Panzan.