B2B como viabilizador de oportunidades
| 01 Junho 2008
O foco no core business tem conduzido as empresas a delegar responsabilidades sobre os processos de negócios a terceiros para garantir competitividade e diferenciação. Para alcançar seus objetivos nesse novo arranjo, as empresas dependem mais do desempenho dos seus parceiros e da identificação e captura de sinergias na cadeia de suprimentos.
A automação dos processos de B2B é vista principalmente como um viabilizador de ganhos de produtividade nas transações e na melhoria do fluxo de informações. Além destes ganhos intrínsecos, é possível ampliar os benefícios promovendo uma maior integração e colaboração entre os atores, permitindo que todos alcancem novos patamares de desempenho.
A redução do custo total de propriedade (TCO) depende, por exemplo, da ação coordenada de suprimentos na gestão do atendimento das demandas e da base de fornecedores, da logística otimizando a malha e coordenando os fluxos para reduzir custos de transporte e estoques, e de finanças controlando pagamentos e o fluxo de caixa. Hoje, grande parte das empresas já possui uma boa integração interna e está iniciando a implantação de iniciativas de colaboração externa.
Estes novos paradigmas de gestão alteram os requisitos de negócio e exigem novas habilidades e competências, levando as empresas a reverem suas estratégias de organização e de relacionamento. Neste contexto, as iniciativas de B2B permitem melhorar a visibilidade e o controle dos processos na cadeia de suprimentos, a gestão pró-ativa das não conformidades, a redução da variabilidade dos processos, a otimização do uso dos ativos e o monitoramento de métricas de desempenho dos parceiros suportando a melhoria contínua, dentre outros.
Com uma abordagem integrada dos processos na área de suprimentos, uma grande empresa de siderurgia com atuação global iniciou em 2002 a implantação de uma solução corporativa de B2B com o objetivo de atender as suas necessidades de relacionamento, incluindo integração e colaboração com fornecedores e clientes. Dentre os benefícios capturados, estão a otimização de processos e acesso às informações, redução do ciclo de compras, maior eficiência nas negociações, diminuição do lead-time dos processos, maior transparência na divulgação de informações para clientes, fornecedores e investidores.
Em logística, uma grande empresa de bens de consumo conseguiu consolidar em 70% o número de transportadoras, garantindo 98,7% dos prazos de abastecimento e melhorando o fluxo interno da fábrica e os processos de recebimento. Para isso, passou a coordenar, em uma central, todos os processos de planejamento e execução das atividades entre os diferentes parceiros, tais como roteirização de coletas, programação de viagens, monitoramento de eventos, medição de indicadores, controle de custos, entre outros. Dessa forma, foi capaz de reduzir em 33,4% os custos logísticos e o estoque de segurança, pela maior confiabilidade no transit-time.
Para implantar uma iniciativa bem sucedida de B2B é importante não subestimar a complexidade da gestão de mudanças, sendo necessário considerar os diferentes aspectos envolvidos na sua implantação e operação como a revisão dos processos, seleção de tecnologias apropriadas de suporte e definição de modelos de governança e indicadores que garantam a coordenação e alinhamento entre os envolvidos.
Portanto, a recomendação é que se pense grande, analisando todas as inter-relações e oportunidades oferecidas pelo Supply Chain, implementando projetos-piloto para colher resultados práticos no curto prazo e que dêem sustentabilidade à iniciativa, mas garantindo a capacidade de expansão rápida para permitir capturar todo o potencial de benefícios projetado.
Luiz Fernando Caldas, diretor de Procurement da Webb.



