Executivos de sucesso ocupam cargos de direção em empresas onde foram estagiários

Coragem para encarar desafios, busca incessante por bons resultados e capacidade de adaptação são algumas das características mais valorizadas no mercado de trabalho, segundo profissionais que começaram como estagiários e se mantiveram nas mesmas empresas até chegar a cargos de gerência e direção.

Mas o caminho a percorrer é longo. Hilmar Pereira, gerente de recursos humanos da Xerox - ele próprio um ex-estagiário e que está há vinte anos na empresa - critica a ansiedade dos jovens atualmente e dá um conselho:

- Os jovens querem um crescimento profissional meteórico. É preciso ter um pouco de calma, pé no chão, senso de realidade.

Digo sempre a eles: cresça, estude e se desenvolva, que as promoções virão com o tempo.

O diretor de relações institucionais do Metrô Rio, Joubert Flores, começou a estagiar nas obras do metrô quando tinha 19 anos, em 1974. Formado em engenharia elétrica, passou por diversas áreas técnicas até ser convidado para ocupar o atual cargo, em 2004. Como a função atual não tem muita ligação com sua formação acadêmica, ele resistiu um pouco quando recebeu a proposta para mudar de área:

- Eu mal sabia, mas foi a grande oportunidade da minha vida - revela ele, que, depois, fez um MBA na Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas para se sentir mais seguro na nova função.

Saber identificar mudanças benéficas para a carreira é parte da trajetória dos profissionais que alcançam cargos importantes. Bruno Motta, chairman da Shell Brands International, sediada na Suíça e responsável pelo gerenciamento da marca Shell no mundo, precisou deixar a casa dos pais, em Belo Horizonte, para aceitar o desafio proposto pela empresa: trabalhar em uma nova função no Rio.

Ele acabara de concluir o estágio na Shell e fora efetivado na área de promoções quando recebeu a oferta, nada vantajosa do ponto de vista financeiro, pois teria de arcar com as despesas de morar sozinho. Bruno decidiu aceitar porque achou o novo trabalho instigante e desejava fazer uma pós-graduação na área de marketing no Rio.

- Além de a função parecer interessante, a proposta parecia representar uma oportunidade de desenvolvimento. O esforço valeu a pena - avalia Bruno, que entrou na empresa em 1985 e acumula no currículo passagens por três cidades européias e atuação em áreas de vendas, promoções, patrocínio e marketing.

As empresas menores podem ser uma alternativa de crescimento um pouco mais rápido. A economista Karina Huffard entrou como estagiária na Webb, empresa especializada em gestão e execução de operações logísticas, no mesmo ano em que a companhia foi fundada, em 2000. Hoje, aos 28 anos, é gerente de projetos.

- Gosto de fazer parte do crescimento da empresa. É bom ver como me desenvolvi, e como a empresa se desenvolveu com meu esforço. Isso é importante para o profissional. Se você muda de trabalho o tempo todo, acaba não agregando valor em lugar algum.

E como tudo começa com a primeira efetivação, uma boa notícia: as perspectivas são animadoras, pois dados do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), responsável pela oferta de metade das vagas de estágio em todo o Brasil, mostram que 64% dos estudantes são efetivados após a formatura.