Visibilidade à distância
| 04 Fevereiro 2009
Ainda há muito o que se fazer para tapar todos os buracos das estradas, problema que há anos freia o transporte e a distribuição de diferentes mercadorias pelo País afora. O setor privado investiu em áreas de seu alcance para agilizar as operações e, de certo modo, compensar os “desvios” de rotas que prejudicam a atividade das empresas.
A incorporação da tecnologia da informação tem feito diferença positiva para os resultados dos embarcadores. Sistemas e equipamentos de transmissão de dados em tempo real trouxeram mais produtividade para os negócios, segundo afirmam profissionais de empresas que tiram proveito dessas ferramentas mais sofisticadas.
“A tecnologia é um divisor de águas no setor”, diz o diretor de logística da Webb Negócios S.A, Gustavo Figueiredo. A importância que o executivo se refere ao avanço da informatização nas operações logísticas, nos últimos anos, não é para menos. O emprego de programas de softwares de última geração permite aos embarcadores um mais bem apurado controle de fluxos e de custos na rotina da empresa.
Por meio da tecnologia, é possível saber o que está acontecendo em uma entrega de carga a cada instante. Processos que demoram dias para serem confirmados podem ser efetuados em tempo real com a informação eletrônica, de acordo com o gerente de logística da Panalpina Brasil, Marcos augusto Vieira. Trata-se de um ganho essencial em um país com a extensão do Brasil e com os diversos problemas de infra-estrutura existentes.
Diretor Comercial e de Marketing da Mesquita Soluções Logísticas, Angelo Gilberto Dias diz que “ a maior evolução no serviço de transporte na distribuição está no desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de rotas (Sistema de Gestão de Transporte – TMS, na sigla em inglês), e no desenvolvimento do VUC (Veículo Urbano de Carga)”. Ambos agregam melhor nível de produtividade e de informação ao processo de entrega segundo Dias.
Dona de uma frota de 70 veículos além de contar com mais de 250 unidades terceirizadas, a Mesquita possui todas as rotas monitoradas por uma equipe de gerenciamento de risco e de logística. “O processo inicia-se a partir da geração dos pedidos dos clientes que, mediante a um rigoroso critério de avaliação, estará sendo confirmado dentro de uma programação de cargas”, afirma Dias.
Tecnologia de informação e sistemas de roteirização de cargas e entregas são dois focos de investimentos da Mesquita. “Recentemente, desenvolvemos um modelo de comunicação para os status das entregas em que nossos motoristas, por meio de sinais de rádio (tecnologia waap), indicam, em tempo real, todas as etapas de entrega diretamente em nosso portal logístico, com uso de um menu simples e customizado nos aparelhos”, diz o diretor.
"A frota inteira da expresso Mirassol, de 438 veículos entre utilitários, médios até rodotrens e tritrens, está coberta pelo sistema de rastreamento. A empresa também passou a utilizar em seus veículos recursos de telemetria nos trouxe grande melhoria na gestão de frota e no desempenho dos motoristas”, afirma o gestor operacional corporativo da Expresso Mirassol, Carlos Donizete Guimarães.
As etiquetas eletrônicas, cujo sistema de identificação se dá por radiofreqüência (RFID), é uma das ferramentas tecnológicas que estão se destacando na área de transporte e distribuição. Apesar de já terem sido implementadas por alguns operadores e provedores de soluções logísticas, as etiquetas ainda não são tão comuns no mercado nacional.
Precursores na incorporação de técnicas avançadas no setor, os Estados unidos contam com o uso de RFID em larga escala. Serviços de rastreabilidade, de nota fiscal eletrônica e bancos de dados das autoridades públicas americanas estão integrados pelo sistema de etiquetas eletrônicas. “O contêiner chega ao porto e vai direto para o veículo”, diz Figueiredo. As cargas não precisam ser abertas e conferidas, pois esse processo é feito automaticamente pela transmissão de informação via antenas, que captam os sinais das etiquetas.
A vantagem, sem dúvidas, aparece na agilidade das operações. “Ganha-se muito em produtividade”, afirma o diretor da Webb. Embora, a implantação da tecnologia das etiquetas seja cara, Figueiredo considera que o resultado nos serviços paga o investimento. Mas, o executivo ressalta que compensa, principalmente, em produções que têm escala. “A unidade do contêiner paga (o investimento), palete fica caro e caixa, mais ainda”, diz.
A tendência, segundo Figueiredo, é de os preços caírem daqui para frente. No entanto, ele afirma que, para embarcadores com pouco volume para transportar, vale contratar um operador logístico que já possua esse serviço. “O setor vive a era da produtividade e a relação vai ser de ganha-ganha com o parceiro”.
Enquanto algumas tecnologias ampliaram seu uso no setor de logística, outras também surgem de acordo com a necessidade do mercado. Porém, ainda há muitos processos lá fora que ainda não chegaram ao Brasil. O custo mais barato da mão de obra tem um papel de regulador na introdução de soluções no mercado brasileiro.
“Na Europa, a mão de obra cara justifica”, afirma Figueiredo sobre os investimento em uso e desenvolvimento de softwares e equipamentos que oferecem mais agilidade e precisão nos serviços logísticos.



