Webb expande atuação como operador logístico

Empresa passa a ser responsável pela execução de transporte e armazenagem. Ela faturou cerca de US$ 37,3 milhões no ano passado e, desde 2004, cresce 64% ao ano em média graças a um rol de clientes que inclui mais de 30% das 500 maiores empresas do país.

Responsável por introduzir o conceito de redes de relacionamento no Brasil, a Webb, empresa do Rio de Janeiro de capital nacional, iniciou nesse ano a atividade de operador logístico. Dentro deste modelo, passa a ser a empresa responsável pela execução de transporte e armazenagem. Para isso, a Webb criou uma área operacional que gerencia parceiros logísticos especializados em cada uma das regiões. Dentro deste cenário, a unidade de negócio de logística da Webb prevê um crescimento de aproximadamente 80% em seu faturamento para 2008 e com uma participação de quase 70% nos contratos de prestação de serviços de longo prazo. A Webb faturou em 2007 cerca de US$ 37,3 milhões. Desde 2004, a companhia tem crescido 64% ao ano em média graças a um rol de clientes que inclui mais de 30% das 500 maiores empresas do país.

Para o diretor da empresa, Gustavo Figueiredo, o ritmo acelerado de produção e consumo no Brasil não está sendo acompanhado pela evolução da infraestrutura. Há problemas como frotas insuficientes, má condição das rodovias e um sistema ferroviário muito restrito à mineração e ao agronegócio. Também é preciso avançar no transporte marítimo. “Apesar de ter uma extensa zona costeira, o país ainda tem a cabotagem como uma opção tímida perto do seu potencial. Com as poucas alternativas marítima e rodoviária, o escoamento fica concentrado nas frotas rodoviárias, que têm se mostrado insuficientes”, comentou ao NetMarinha.

Para ele, este cenário é agravado pela localização dos centros de distribuição em cidades cuja carga tributária é menor e que, de modo geral, aumenta as distâncias percorridas entre a origem e o destino das mercadorias e, consequentemente, a demanda pelo transporte rodoviário. Outro grande desafio das empresas é ajustar sua infraestrutura para suportar o fluxo de materiais. “A maioria dos mercados está revisitando sua rede logística típica, como localização de plantas e CDs, e ajustando a capacidade logística em cada ponto da malha”, antecipou.

Chama a atenção também a otimização dos processos operacionais. Figueiredo comentou que existe uma preocupação muito grande em crescer de forma organizada e sem gerar um processo com perdas. Para isso, as empresas buscam suporte para entender as variabilidades típicas do seu negócio e como compatibilizá-las com suas operações e estoques. “Cada vez mais as empresas buscam informatizar o fluxo de informações ao longo da cadeia de suprimentos e utilizar estas informações para gerir em tempo real o dia-a-dia das operações”, disse.

Hoje a Webb gerencia uma movimentação de carga que chega a 123 mil toneladas por mês, de oito principais clientes, o que representa uma média de quase 5 mil viagens no mês. Ao ano, o número chega a 60 mil viagens e 1,5 milhão de toneladas. Entre os principais clientes da empresa estão Coca-Cola, J&J, Amanco, Portobello, Danone, a unidade mexicana da Unilever, entre outros.

Para Figueiredo, o conceito de redes de relacionamento já está maduro no Brasil e ganha muita força. A Webb possui uma iniciativa já implementada e ganha cada vez mais escala na estratégia Sul, cujo objetivo é consolidar empresas do Sul numa mesma rede logística. Esta iniciativa já conta com quatro embarcadores e gerou uma redução de custo em torno de 15% para seus participantes, mesmo com o índice de reajuste publicado pelos órgãos que regem o reajuste de transporte. “Alguns grandes embarcadores já nos solicitaram estudos para entender os benefícios da criação de redes de relacionamento utilizando suas malhas como âncora”, revelou.

Figueiredo enxerga um forte movimento na direção de integrar os participantes de uma mesma cadeia de suprimentos. Desta forma, o estoque ao longo da cadeia tende a ser gerido pelo elo mais forte e diversas soluções de cálculo de reposição e visibilidade de estoque têm sido implementadas.

“Numa escala menor, mas com grande relevância técnica, vemos soluções direcionadas para canais de venda. Ou seja, empresas que possuem um mesmo canal de venda como cliente se unem para otimizar a entrega. Por exemplo, temos um hub que consolida o estoque de diversas empresas de material de construção num mesmo local e define as entregas compartilhando o veículo entre estas empresas”, garantiu o executivo.

Na Europa, empresas do setor de alimentos fizeram algo parecido para entrega em restaurantes. Nos Estados Unidos, este mesmo movimento foi realizado para entregas em shopping centers. “Acreditamos que esta tendência chegue rápido no Brasil”, complementa.

Sobre o perfil do cliente, ele disse que tem condições de atender a todos. Tanto que no início do ano a Webb inaugurou um centro de excelência em projetos na matriz. Com isso, conseguiu reduzir o touch time e cicle time de execução de projetos. Outra vantagem foi implementar um processo de qualidade bastante eficaz, no qual todas as análises são executadas e revisitadas por diferentes times. “Nosso grande diferencial é propor soluções que envolvem diferentes embarcadores para as empresas que não possuem volume alto”, finalizou Figueiredo.